Barco Moliceiro: Tendo como campo de acção a Ria de Aveiro, o Barco Moliceiro é o tipo de embarcação destinada à colheita e transporte da vegetação aquática, ocupação conhecida pelo termo popular de "apanha do moliço", e serve eventualmente ao transporte de pessoas, mercadorias ou gado. Ex-libris da Ria de Aveiro, o moliceiro é distinguido pelo elegante exotismo da sua proa estilizada e sobre erguida, e pela sua alegre decoração de cores garridas e apelativas.
Esta embarcação em forma de "meia-lua", descende das canoas de tábuas de tipo mesopotâmico.
A área geográfica da sua actuação abrange toda a superfície da ria, variando as suas dimensões conforme as zonas onde navega, sendo assim uma embarcação bem adaptada à actividade que pratica e às condições geográficas e climatéricas desta área.
Este foi um fim-de-semana diferente… No âmbito das festas da Nossa Senhora da Saúde da Costa Nova do Prado, todos os anos realiza-se uma regata de Moliceiros organizada pelo Clube de Vela da Costa Nova (CVCN), onde se faz a ligação da praia da Torreira com a praia da Costa Nova no sábado e no domingo faz-se um pequeno percurso no Canal de Mira em frente à praia da Costa Nova…
Uma vez mais, e mesmo com a chuva e mau tempo que se fez sentir, o espectáculo esteve assegurado!!! È magnífico observar o decorrer de uma regata de Moliceiros a navegar à vela, é um barco que prima pela beleza, elegância e, se bem afinado, velocidade!!!
Este ano tive a oportunidade de pela primeira vez fazer parte de uma tripulação durante esta regata e posso dizer que, embora as bases sejam semelhantes, o Moliceiro pouco tem a ver com um veleiro ou um outro qualquer barco de Vela ligeira… Sem querer dar ar de valentão ou usar simbolismos machistas, é um barco para homens a sério, homens com força, homens com garra e vontade de ganhar, lutar e chegar ao fim, homens que da terra, da vida e do mar conseguiram decifrar e desenvolver os segredos de pôr um barco daqueles a andar sem o uso das novas Hi-Tech que caracterizam os barcos de hoje!!!
Com uma simplicidade momentânea, voltei à idade de criança, tudo era desconhecido, novo, complexo… Renasci à base do conhecimento, aos nomes, às técnicas e às estratégias, aprendi a cultura popular sem regras ou normas pré estabelecidas ou escritas em um qualquer livro internacionalmente reconhecido, e vi que na água o que interessa é o senso comum… Tudo berra, bate e em terra os transeuntes, familiares e interessados vibram como se fossem parte integrante da tripulação de um qualquer moliceiro.
Os resultados não interessam… Para mim pelo menos, já que há muitos barcos que estavam para ganhar e para conseguir o price money respectivo. Para mim foi a festa da tradição e do conhecimento… esse que não vem nos livros nem na televisão.
Para o ano há mais…